Això no és africà!

Imagem_beijoEgitoHá 4.000 anos, dois homens foram enterrados juntos no Egito e, em sua tumba, além da inscrição “Unidos no bendito estado da morte”, se vê uma pintura que pode ser a primeira representação de um primeiro beijo gay da história da humanidade.

Porém, as autoridades egípcias forjam toda sorte de teorias para convencer os visitantes de que são irmãos, e não amantes, os sepultados na jazida arqueológica de Sakkara. É que a homossexualidade, vista como algo natural na Antiguidade, hoje é considerada por muitos africanos como um desvio emprestado do mundo ocidental, punida em 36 países do continente com perseguição, prisão perpétua e, nos casos mais extremos, com pena de morte.

A ideia de que este comportamento “não é africano” inspirou o título do livro de Marc Serena, “Això no és africà! Del Caire a Ciutat del Cap a através dels amors prohibits” (Editora RBA, 2013), que acaba de ganhar sua versão em castelhano (Editora Xplora, 2014). Durante sete meses, o jornalista percorreu 15 países africanos, onde presenciou a violência orquestrada, e silenciada no resto do mundo, contra os direitos dos homossexuais.

Dentre as incríveis histórias compiladas por Marc Serena durante as suas andanças pelo continente mais pobre do planeta, estão a do primeiro imã africano que saiu do armário, a de três transexuais visitando Cesária Évora horas antes da morte da cantora e a do blogueiro gay mais popular do Egito, que consegue dizer o que pensa sem, no entanto, que descubram sua identidade.

Cada história é um mundo, mas todas têm em comum coragem, força e obstinação. Sobre estes heróis anônimos e a situação periclitante dos homossexuais na África, Marc Serena falou, em português, à RNE/ Radio Exterior de España (minuto 2’41”)

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