A arte de Tàpies como um ato político

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Ao longo de sua carreira, Antoni Tàpies transitou por diversos caminhos: pelo dadaísmo, surrealismo, expressionismo, pela abstração, pelo informalismo. Com as cruzes e números que estampava enérgicamente na tela, e principalmente pela inserção de materiais alheios ao universo da pintura, Tàpies criou um estilo próprio.

A tela foi suporte para todo o tipo de material, desde os mais tradicionais, como óleo, madeira e papel, até fios, alumínio, meias, cadeiras, camas… Incorporar aos quadros materiais pouco ou nada convencionais era um ato político. Em plena ditadura franquista, Tàpies disse não às restritivas formas acadêmicas defendidas pelo regime.

O uso de materiais menos nobres em sua pintura também tem muito da cultura oriental, de valorizar a vida simples, de ritualizar simples gestos da vida cotidiana. Tàpies dizia que Picasso e Miró foram seus grandes mestres. O pintor, escutor e teórico catalão também recebeu a influência de um ilustre brasileiro, o poeta João Cabral de Mello Neto, que no final da década de 40 era cônsul em Barcelona. A curiosidade consta de um livro produzido pela própria Fundação Tàpies:

“ENTRE 1949 E 1950, TÀPIES ADQUIRE UMA CONSCIÊNCIA SOCIAL CADA VEZ MAIS ACENTUADA. A AMIZADE COM UMA PESSOA TÃO COMPROMETIDA POLITICAMENTE, COMO ERA O CÔNSUL BRASILEIRO NA ESPANHA, JOÃO CABRAL DE MELO NETO”, TEM MUITO A VER COM ESTE POSICIONAMENTO. CABRAL PROPUNHA UMA ARTE DE COMPROMISSO ENTRE OS IDEAIS DO REALISMO SOCIALISTA E AS TENDÊNCIAS DE VANGUARDA. A SUA INFLUÊNCIA SOBRE TÀPIES E OUTROS ARTISTAS JOVENS DE BARCELONA FOI MUITO IMPORTANTE.”

Para falar do artista plástico catalão e de sua influência sobre a arte contemporânea,  escute esta entrevista com Núria Homs, conservadora da Fundació Antoni Tàpies, concedida à RNE/ Radio Exterior de España em fevereiro de 2012, na ocasião da morte deste brilhante e icônico artista (minuto 9’15”).

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Pintors Malvats

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