Eleições em um Brasil que não se sente representado

Imagem_urnaFalta muito pouco para o desfecho de uma campanha eleitoral que reservou lances inesperados ao noticiário político brasileiro, com muita oscilação nas intenções de voto do eleitorado e um ambiente social buliçoso. A escolha do presidente que comandará o Brasil nos próximos quatro anos sucede a onda de manifestações em 2013 e 2014, protestos massivos, horizontais, majoritariamente apartidários e que deram a clara dimensão de que o brasileiro se sente órfão de representação política institucional.

Para falar sobre este momento de agitação política no Brasil, converso com Sônia Fleury, doutora em Ciências Políticas e professora titular da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, que esteve em Barcelona. Na entrevista emitida pela Radio Exterior/ Radio Nacional de España (minuto 1’30”), Fleury discorre sobre esta falta de identificação dos eleitores brasileiros, situação que também se apresenta em escala mundial, e de que maneira o novo presidente, ou presidenta, do Brasil poderia conquistar a empatia do povo.

Sônia Fleury também opina sobre como o País deveria se posicionar ante a crise global gerada pela incompatibilidade entre democracia e capitalismo. Segundo ela, tal dissociação impede que os governos representem a cidadania, já que o poder público se torna um grande devedor e o mercado financeiro acaba tomando as rédeas. “Esse problema não só brasileiro, é do mundo inteiro. O Brasil até tem algumas lições para ensinar. Mas isso está muito aquém das expectativas da população, que quer investimentos na qualidade dos serviços públicos, e isso está sendo impedido pelo pagamento da dívida”, diz a professora.

A acadêmica também fala sobre a expansão de consciência do povo brasileiro, que parece estar mais ciente dos seus direitos e do lançamento das bases de um Estado de Bem-Estar Social no Brasil, que, na avaliação da professora, já existe e só precisa ser aprimorado.

A pesquisadora esteve em Barcelona para participar do simposio “Crisis urbanas en Europa y Brasil: de la protesta a la propuesta”, promovido pelo Instituto de Governo e Políticas Públicas (IGOP) da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e pela Fundação La Caixa. O evento reuniu pequisadores brasileiros e espanhóis.

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