Empresa de reciclagem contorna crise na Espanha e planeja expansão

"Recíclese: deje el bono basura e invierta en basura"

A Acin Costa Brava conseguiu ter faturamente positivo em seu primeiro ano de operação, projeta dobrar suas receitas em 2014 e já está se mexendo para conquistasr dois mercados: o brasileiro e o de Teerã. Prova de que do lixo também se extraem riquezas.

Tempos de crise, mas também de pensar em alternativas e de empreender, ainda que seja fora do próprio território. E no caso de Joan Campmajo, um catalão de apenas 22 anos, a oportunidade veio de onde normalmente menos se espera encontrar riquezas: do lixo. Há um ano, Campmajo e seu irmão montaram a empresa Acin Costa Brava, que recolhe os resíduos industriais para, na outra ponta, transformá-los em dinheiro. A empresa vem apresentado faturamento crescente e já tem planos de se expandir para além do continente europeu. O Brasil é um dos destinos da empresa.

Duas vezes por semana, Campmajo se dedica a fazer cotações entre os clientes que compram ferro, alumínio, aço, estanho e outros materiais que diariamente são descartados nos contêiners de Toulouse, onde está instalado o galpão da Acin Costa Brava. Feita a cotação, os materiais, devidamente separados e prensados, seguem para os clientes espanhóis. O negócio prosperou tanto que, de um investimento inicial quase nulo, a empresa passou a faturar € 250 mil em seu primeiro ano de operação. Para 2014, a previsão é elevar estas cifras a € 500 mil. Uma outra nave industrial está sendo adquirida em Girona, a uma hora de Barcelona. Mas a iniciativa mais ousada será a de cruzar o oceano e desembarcar em Natal, Rio Grande do Norte.

Segundo Campmajo, a comprovação de que o negócio de reciclagem é promissor mesmo em situações de crise já lhe inspirava novos desafios. Mas foi durante as férias que passou em Natal no ano passado, vendo os sacos de lixo pelas ruas, que o jovem empreendedor decidiu aproveitar esta deficiência do Brasil para fazer algo que, além de viável economicamente, é ecologicamente correto. “Logo pensamos que poderíamos explorar este setor que hoje no Brasil se equipara à situação da Espanha 20 anos atrás, antes da Olimpíada”, afirmou.

A ideia da Acin é fazer em Natal uma gestão integral de resíduos urbanos: desde a coleta de lixo nas ruas, colocando contêiners nos distritos urbanos, até a separação dos materiais para sua posterior reutilização. No momento, o empresário está negociando com a prefeitura de Natal para que aprove o projeto e financie a maior parte dos € 3 milhões necessários para instalar uma planta que realize todas as etapas do processo de reciclagem, inclusive transformando o lixo orgânico em energia elétrica. Ele também está buscando o apoio de fundos de investimento para levar adiante este projeto. Em seu esforço para concretizar estes planos de expansão, Campmajo criou um bordão que já se tornou seu mantra: “Recíclese: deje el bono basura e invierta en basura”.

Escute a entrevista de Joan Campmajo emitida pela RNE/ Radio Exterior de España.

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