Os quilombos como política de resistência

imagem_menina_quilombolaOs quilombos foram a primeira política de resistência no Brasil. Mas este é um tema que pouco se explora no País. Na escola, nos apresentam a figura de Zumbi dos Palmares, mas quase nada se fala sobre como aqueles que fugiam dos grilhões da escravatura se organizavam, como domavam lugares inóspitos e muito menos do medo dos homens brancos de que índios, negros e opositores à escravidão promovessem um levante. Bastava uma centelha dos ideais libertários da Revolução Francesa, que levaram os escravos haitianos a se rebelarem, para que o Brasil explodisse.

Alguém já se perguntou como os africanos que vinham de áreas desérticas, por exemplo, conseguiam sobreviver na floresta amazônica? Como os governantes reagiam à ameaça constante de motins? Como é que índios e negros se comunicavam e se organizavam nos quilombos? E como vivem as comunidades descendentes de quilombolas hoje? Preservam algo da estrutura social de seus antepassados? Há, como os quilombos brasileiros, outras formas de resistência na América?

073As respostas para estas perguntas você encontra nesta entrevista emitida pela Radio Nacional de España/ Radio Exterior (a partir do minuto 3’40”). E quem nos brinda com tanta informação interessante não é brasileiro, e sim espanhol. José Luis Ruiz Peinado, o Luigi, doutor em Antropologia Cultural e professor da Universitat de Barcelona (UB), é especialista nas culturas indígenas e afro-americanas.

Ele tem vários livros publicados sobre os temas, inclusive sobre as formas de resistência na América, e morou durante quatro anos em comunidades remanescentes de quilombos no Brasil. No fim deste ano, levará seus filhos pequenos ao Pará, no Brasil, para que eles conheçam a comunidade quilombola onde morou, sua “segunda família”.

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Fotos: José Luis (Luigi) Ruiz Peinado

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