Quando o português se firmará como uma língua global?

imagem_dicioCerca de 260 milhões de pessoas falam português ao redor do globo. Porém, apesar de seu peso demográfico, o idioma ainda não conseguiu projeção cultural e econômica. Além da falta de coesão linguística entre os países lusófonos, há razões históricas e sociais para esta fragmentação na identidade. Quem nos dá a exata dimensão destes entraves é o diretor do Instituto Camões em Barcelona e professor de filologia românica na Universitat Autònoma (UAB), Jordi Cerdà, nesta entrevista à RNE/ Radio Exterior de España.

O especialista explica que o Estado português demorou muito para considerar a língua portuguesa um valor essencial, não só como identidade, mas também em termos econômicos. De fato, muitos escritores portugueses de grande importância, como Gil Vicente e até Luís de Camões, acabaram escrevendo em espanhol para ganhar mais projeção literária. Fernando Pessoa, outro ícone da literatura lusa, dizia aos quatro ventos que a língua portuguesa era sua Pátria, mas sua formação era britânica.

Quais são os riscos sociopolíticos de estes países não projetarem a língua portuguesa no mundo? E que papel exerce o Brasil na difusão deste idioma? O país latino-americano concentra a imensa maioria dos falantes de português e tem se firmado como uma potência político-econômica.

Uma das tentativas para fortalecer o idioma e uniformizá-lo entre os países lusófonos foi a criação de um novo acordo ortográfico, cuja aplicação ainda encontra muita resistência em Portugal. Jordi Cerdà discorre sobre o tema e diz que, progressivamente, os países caminham para uma mesma direção. Ele também tenta responder uma pergunta que está latente em muitos brasileiros: Portugal considera o português do Brasil uma ameaça?

Na entrevista à RNE, que começa no minuto 3’18”, fazemos um exercício sobre as medidas que posicionariam o português como língua global, não só em termos culturais, como também econômicos. E conversamos, também, sobre as rusgas linguísticas entre Portugal e Espanha e a proximidade do catalão com o português, ainda que estejam em extremos geográficos, e da probabilidade de que o espanhol, por uma influência do vasco, seja a descontinuidade entre as línguas românicas que seguem uma mesma linha evolutiva, da Catalunha, passando por Aragón, Galícia e Portugal.

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