Ser estrangeiro é tirar a máscara, diz Rodrigo Amarante

Imagem_RAmaranteMorar em outro país revolucionou a maneira de pensar e o fazer artístico de Rodrigo Amarante. A partir desta experiência, o cantor e compositor aprendeu a duvidar da própria identidade. Sua insistência em permanecer nos Estados Unidos foi um intento de se despir dos signos construídos em torno de si mesmo. E esse questionamento, sobre o qual Amarante falou à Radio Nacional de España/ Radio Exterior (minuto 11’15’), orientou a produção do seu disco “Cavalo”.

Sentir-se estrangeiro e falar outra língua, segundo o artista, lhe despertou este sentimento de dualidade expresso no seu mais recente trabalho. “Ser estrangeiro é o exerício de tirar a máscara (…). A gente aprende a amar aquilo que a gente entende que é, mas na verdade a gente não sabe o que é. É uma construção. Então aqueles à nossa volta estão sempre nos lembrando de ser aquilo que a gente ou gostaria de ser ou que parece ser.”

Na entrevista, além da experiência de morar fora, Amarante revela a fonte de outras importantes transformações no seu processo criativo. Depois de anos como um dos mentores do Los Hermanos, ele se deixou levar por parcerias que lhe renderam um intenso aprendizado e grandes descobertas. Com a Orquestra Imperial, diz ter aprendido a cantar melhor, a aprimorar harmonia e rítmica. Com Devendra Banhart, aprendeu sobre dinâmica, a tocar delicadamente e inserir em sua música o silêncio que é tão presente em “Cavalo”, disco que reflete um “exercício de questionamentos de identidades e recolhimento das saudades”, como define o artista.

Nesta conversa em Barcelona, Rodrigo Amarante também fala sobre sua condição de protagonista na carreira solo que está deslanchando e do senso de perigo ao se expor no palco sozinho com seu violão. “Me sinto como se estivesse fazendo algo punk, apesar de tocar músicas tão delicadas.” Escute!

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