Sobre as ameaças ao valores humanistas da Europa

Imagem_GonçaloTavares“A invenção do navio foi também a invenção do naufrágio.” Paul Virilio, filósofo.

Na Europa, as medidas extremas no controle de gastos ameaçam o estado de bem-estar social e os valores humanistas sobre os quais União Europeia se construiu. Foi com esta mensagem central que o escritor Gonçalo M. Tavares falou a uma plateia atenta durante o ciclo de conferências “Ideia de Europa”, promovido pelo Centro de Cultura Contemporània de Barcelona (CCCB).

Nascido em Luanda, Gonçalo M. Tavares é um dos ícones da literatura contemporânea em língua portuguesa, com 220 traduções distribuídas por 45 países. Com o romance “Jerusalém” recebeu os prêmios Portugal Telecom, José Saramago e Ler/Millennium BCP.

Nesta reportagem em português produzida para a Radio Nacional de España/ Radio Exterior (abaixo, a partir do minuto 8’20”), Gonçalo M. Tavares faz interessantes reflexões sobre as ameaças ao conceito de Europa nestes tempos de crise. Ele comenta, por exemplo, que tecnologia e economia são os vetores que têm regido este mundo tão afeito às quantificações, e que sufocamos o humano em nome do progresso “técnico”.

Economia e tecnologia são atividades essenciais e indispensáveis. Mas têm de estar a serviço da sociedade, e não o contrário. E é a hegemonia destas duas artes de “aprendiz de feiticeiro” sobre o bem-estar das pessoas, como define Gonçalo M. Tavares, é que coloca a Europa em um lugar perigoso. Aperte o “play”, escute e reflita.

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